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  • Giselle Oliveira

A vida não é linear, por que a carreira seria?

Obs: se você veio do Linkedin, começa pelo texto depois da imagem. ;)


Do mesmo jeito que queremos controlar para que nossa vida seja sempre uma linha constante e de preferência em crescimento, o mesmo acontece com o nosso lado profissional e pode ter uma projeção ainda maior, pois os baixos daqui vem acompanhados de insegurança financeira, um susto na autoestima, entre outras coisas.


A primeira demissão a gente nunca esquece


Dizer “ano passado” parece distante, mas foram apenas há algumas semanas que aconteceu comigo e outras 160 pessoas na semana do Natal. Me sinto até privilegiada por passar por isso só agora perto dos trinta, mas a verdade é que eu agarrava qualquer job, todos eles, de uma vez só e do jeito que conseguia. Muitas vezes às custas da minha saúde física e mental porque não nasci herdeira e vim dos confins de Santa Cruz da Serra.


Lidar com isso, para mim e muitas outras pessoas com o mesmo histórico, não é fácil e é por isso que estou deixando meus dedos rolarem pelo teclado hoje. Textos de superação e frases like "clickbait" não faltam para deixar claro o quão resiliente você precisa ser e mostrar na vitrine do Linkedin que “bola pra frente”, sempre pensando estrategicamente em como tudo isso vai refletir na sua imagem profissional. Mas fora do Linkedin, aqui na sinceridade, como você está?


A onda de demissões em massa continua passando pelas empresas não só do Brasil, mas de todo o mundo e isso assusta qualquer um que depende do emprego para sobreviver, então eu não tenho medo de dizer que não, não está TUDO bem. Para quem foi atingido pela onda - agora falando por mim -, está sendo um misto inusitado de medo x empolgação. A parte do medo acredito que não preciso explicar, mas a empolgação me pegou desprevenida. Óbvio que ela não é por estar desempregada, mas por depois de muuuitos anos, é estranhamente bom “ter tempo”.


Tenho “tempo”, e agora?


O tempo do qual me refiro aqui não é ócio e ir a praia. É aquele de pensar com calma, fazer com calma e, principalmente, viver sem achar que está ininterruptamente correndo sem fôlego. Eu só percebi que me sentia assim no dia seguinte que acordei e não tinha que entrar em mais uma reunião. Mais importante que isso foi perceber que depois que comecei a trabalhar com escrita eu fui deixando de vê-la como hobby e parte da minha identidade para restritamente a força de trabalho que eu tinha para vender.


E nessa empolgação lá fui eu tentar escrever para mim depois de tanto tempo e achei honestamente que não levaria mais jeito e seria uma perda de tempo. O espeto aqui é de madeira maciça e eu não parava de tentar brifar o que ia escrever. (Qual o objetivo? Quem eu quero atingir? Acho que vou definir uma persona. Será que vai ter muito engajamento, será que não vai ter nenhum?)


Créditos na imagem


Depois de muita discussão comigo mesma, eu me permiti não ter nenhum briefing ou cobrança de resultado. Só soltei meu pensamento nas palavras na intenção de que poderia ser relevante para alguém (não para algum algoritmo) e é por isso que você está aqui lendo isso agora. Você é uma testemunha importante no compromisso que assumi comigo de voltar a ver a escrita como uma parte de mim enquanto pessoa e não mais como uma mera habilidade profissional.


Quando lemos, damos algo muito genuíno de nós: atenção. Por isso, fica aqui de antemão o meu muito obrigada. Significa muito pra mim.


A corrida por um novo emprego


Corrida sim, porque convenhamos que tirar um ano sabático não é a realidade da qual faço parte e por mais que esteja sendo bom ter “tempo”, nossos queridos boletos não se pagam sozinhos. Em meio a entrevistas e processos seletivos, decidi testar uma postura um pouco diferente e tem sido bem interessante. Meu foco não está sendo só convencer o entrevistador que me encaixo em determinado cargo e tenho uma qualificação adequada, mas em algum momento falar do que verdadeiramente me empolga. Isso, às vezes, pode valer até mais porque inevitavelmente sua guarda baixa e abre espaço para autenticidade.


O resultado disso é que pela recepção por parte dele e da empresa, vai te dizer se vão te olhar não só como um número, mas também como um ser humano. E convenhamos, trabalhar num lugar onde você não pode ser quem você é além de desgastante, é cruel com você mesmo. Não estou deixando a necessidade do emprego de lado e nem que ela pode sim falar mais alto em muitos casos. Porém, essa simples ação pode ajudar a enxergar onde você vai pisar e não se jogar no escuro profissionalmente.


Assim como na vida nada é linear, como disse quando iniciei esse texto, a partir de agora eu quero olhar para minha carreira também com autocuidado e tolerância. Entender e ter orgulho de que os baixos são necessários para que lá na frente eu tenha a clareza de enxergá-la como um todo e não resumi-la em simples fases. Te convido a fazer o mesmo e se tudo isso fizer sentido para você, compartilha comigo de alguma forma? Vou gostar muito de saber. =)

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